Tuesday, 10 April 2012
Vou deixar que escorram
E passem pelo rosto já salgado
Por antigas secas lágrimas.
Vão evaporar antes mesmo
De encostar no chão.
Num vapor de diversas cores
Que tocarão teu corpo
E pintarão toda mágoa
E rancor em que te vesti.
Tuas mãos serão apenas
Dedos em um violão,
Teus olhos vão brilhar
Pelo que não posso ver,
E em tua boca entrará a água
Que ainda arde ao beber.
Quando assim for
Guardarei só os pulos
Em cima da cama,
Os passos de dança
Na estação e o
Primeiro momento
Em que te vi.
Vou virar meu corpo
De costas para teu corpo e
Andar na direção contrária.
Meus ouvidos seguirão
Surdos aos teus chamados.
E quando, só quando
Conseguir limpar todo
Sal de meu rosto
Vou me virar para
Ti com sorriso e
Coração abertos para
Receber o que hoje
Me dói por ser tão pouco.
